Começa com um formigamento nos dedos no fim do expediente. Depois, um incômodo no ombro que não passa no fim de semana. Meses depois, um atestado — e, em muitos casos, um afastamento longo. As lesões por esforço repetitivo e os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (LER/DORT) continuam entre as principais causas de afastamento no Brasil, e os números mais recentes acendem um alerta para as empresas.

O cenário: afastamentos em alta

Dados do INSS divulgados pela imprensa apontam que 2025 registrou mais de 4,1 milhões de afastamentos, cerca de 15% a mais do que em 2024 e o maior volume desde 2021. Dentro das doenças ocupacionais, a Previdência Social estima que a LER/DORT responde por aproximadamente 30% dos afastamentos.

Não se trata de um problema só da indústria. Teleatendimento, escritórios, logística, saúde, varejo e linhas de produção estão entre os ambientes mais afetados — basicamente, qualquer função com movimentos repetitivos, posturas mantidas por muito tempo, ritmo intenso e poucas pausas.

Os sinais de alerta

A LER/DORT costuma se instalar aos poucos. Fique atento quando os colaboradores relatam:

  • dor persistente em punhos, cotovelos, ombros, pescoço ou lombar;
  • formigamento, sensação de peso ou queimação;
  • perda de força (deixar objetos cair, dificuldade para segurar o mouse ou ferramentas);
  • desconforto que no início aparece só durante o trabalho e, com o tempo, surge também em repouso.

Quanto antes esses sinais forem identificados, mais simples e barata é a intervenção.

Não é só “postura errada”: a LER/DORT é multifatorial

Um erro comum é tratar a LER/DORT apenas como um problema de cadeira ou de postura. Na prática, ela resulta da combinação de vários fatores:

  • Físicos: repetição, força, posturas forçadas e mantidas, mobiliário inadequado.
  • Organizacionais: metas e ritmo intensos, jornadas longas, ausência de pausas, horas extras frequentes.
  • Psicossociais: pressão excessiva, pouca autonomia, tensão constante — fatores que aumentam a tensão muscular e reduzem a recuperação do corpo.

Por isso, a prevenção eficaz olha para o posto de trabalho e para a forma como o trabalho é organizado. Esse olhar é exatamente o que a NR-17 exige.

Quanto custa para a empresa

Quando o nexo com o trabalho é reconhecido, a LER/DORT é equiparada a acidente de trabalho. As consequências para a empresa vão muito além do atestado:

  • afastamento pelo INSS na modalidade acidentária (B91) quando passa de 15 dias;
  • obrigação de manter os depósitos de FGTS durante o afastamento;
  • estabilidade de 12 meses após o retorno do colaborador;
  • risco de indenização, especialmente quando a empresa não cumpre as normas de ergonomia;
  • custos indiretos: substituição, horas extras da equipe, queda de produtividade e de clima.

Em outras palavras: prevenir custa muito menos do que remediar.

O que realmente funciona para prevenir

1. Diagnóstico ergonômico (AEP e, quando necessário, AET). É o ponto de partida. Mostra onde estão os riscos, quais setores são prioritários e o que precisa mudar no posto e na organização do trabalho. Entenda a diferença no artigo AEP ou AET? O que a NR-17 exige.

2. Ajustes no posto e na rotina. Regulagem de mobiliário e equipamentos, rodízio de tarefas, pausas planejadas e revisão de metas e ritmo onde houver sobrecarga.

3. Ginástica laboral bem conduzida. A literatura científica aponta benefícios como redução de dores e sintomas osteomusculares, menos faltas, mais disposição e melhora do clima entre as equipes. Mas há um ponto que poucos falam: a ginástica laboral funciona melhor quando está integrada às demais medidas de ergonomia, tem boa adesão dos colaboradores e conta com o apoio da liderança. Exercícios genéricos, sem relação com as tarefas de cada setor, entregam pouco.

4. Escuta ativa e acompanhamento. Canais para os colaboradores relatarem desconfortos logo no início, integrados ao PCMSO, permitem agir antes que a dor vire afastamento.

5. Indicadores. O que não é medido não é gerenciado. Acompanhe queixas de dor por setor, absenteísmo, atestados osteomusculares e adesão às ações. Esses dados mostram o retorno do programa e orientam os próximos passos.

Ginástica laboral sozinha resolve?

Não — e qualquer fornecedor que prometa isso está vendendo o que não entrega. A ginástica laboral é uma ferramenta poderosa de prevenção e engajamento, mas o resultado vem da combinação: diagnóstico, ajustes ergonômicos, organização do trabalho e exercícios direcionados para as demandas reais de cada função.

Como a ComSi pode ajudar

A ComSi une ergonomia e ginástica laboral em um único programa: fazemos o diagnóstico, montamos o plano de ação e conduzimos sessões de ginástica laboral planejadas para os riscos de cada setor — presenciais ou on-line, em todo o Brasil. Tudo acompanhado por indicadores, para que sua empresa veja na prática a redução de queixas, afastamentos e custos.

Quer reduzir afastamentos por LER/DORT na sua empresa? Fale com a ComSi e conheça nosso programa integrado de ergonomia e ginástica laboral.